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Desde a realização do I Colóquio internacional A Educação pelas Imagens e suas Geografias, a produção intelectual do grupo que naquele momento pensou as bases para sua realização, continua sendo alinhavada por pesquisadores que possuem no tripé cultura-imagem-educação geográfica o conjunto de suas preocupações investigativas. Cabe dizer que deste primeiro colóquio foram publicados dois dossiês: A educação pelas imagens e suas geografias, na Revista Pro-posições (v.20, n.03) – http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_issuetoc&pid=0103-730720090003&lng=pt&nrm=iso - constituído dos artigos apresentados no I Colóquio e Imagens, Geografias e Educação, na Revista Educação Temática Digital, com os trabalhos apresentados também no I Colóquio acrescidos por três artigos encomendados a pesquisadores estrangeiros – www.fe.unicamp.br/etd

Para este II Colóquio organizamos as mesas-redondas em dois grandes eixos: Política das Imagens e Poética das Imagens. No primeiro eixo, agrupamos pesquisadores interessados em compreender as escolhas de edição de uma dada imagem ou um conjunto delas e as linguagens que amparam sua legitimidade e visualidade no campo da educação geográfica. No segundo eixo, foram agrupadas as pesquisas que versam sobre a formação de subjetividades por meio de imagens que são tensionadas na busca de rupturas/clivagens com uma dada educação visual geográfica supostamente pronta e acabada.

Convém destacar que a preocupação do grupo com a dimensão cultural originou-se dos estudos culturais – desenvolvido primeiramente no Reino Unido na década de 1950 como um campo interdisciplinar a partir dos estudos literários e históricos, espraiando-se posteriormente para os Estados Unidos e América Latina. Os estudos culturais partiram de uma crítica da concepção de cultura entendida como alta cultura, deslocando o foco de análise para a cultura ordinária da classe trabalhadora. Em seguida, ampliaram o leque de investigações. De acordo com Maria Elisa Cevasco “os estudos culturais constituem-se [...] em uma resposta em termos de projeto intelectual às modificações que marcam a sociedade contemporânea dos meios de comunicação de massa”.

Segundo o filósofo italiano, Gianni Vattimo, a sociedade dos meios de comunicação de massa “abre caminho a um ideal de emancipação que tem antes na sua base a oscilação, a pluralidade, e por fim o desgaste do ‘princípio de realidade’. Partimos do pressuposto de que a construção do olhar é mediada pela cultura. As imagens, geográficas ou não, são classificadas como tais em função de como aprendemos a olhá-las no transcorrer da nossa história com as linguagens/imagens. Podemos afirmar que a educação visual do espaço amplia-se para além dos contextos escolar e acadêmico geográficos, possibilitando que diferentes grupos sociais lancem mão de imagens geográficas. Outros jeitos de mirar para as geografias do mundo, outras maneiras de (des)nortear os mapas e imagens que nos chegam.

No contexto contemporâneo as imagens têm participado dos mais distintos universos culturais, educando e nos constituindo como sujeitos (individuais e coletivos). A importância adquirida pelas imagens sejam elas analógicas e/ou digitais, em fins do século XX e começo do XXI, pode ser entendida como parte de uma produção industrial da cultura mais generalizada, autorizando-nos a dizer juntamente com Carlos Eduardo Albuquerque Miranda que há uma Educação do olho em curso, cujas origens situam-se no século XIX – momento em que o olhar será mediado por meio de aparelhos. Nesse sentido, torna-se pertinente lançar mão de reflexões ancoradas na dimensão cultural para compreender as transformações pelas quais a educação visual contemporânea vem passando, entendendo a cultura “como parte de um programa estético/político mais amplo do que o momento de sua configuração industrial. Tal programa antecede ao desenvolvimento tecnológico do século XIX, necessário para a consolidação da cultura industrial”. Ou seja, a construção do olhar é mediada pelos objetos culturais. Partindo desse pressuposto, tomamos as imagens como descoladas daquilo que supostamente viria a ser o real ou a realidade em si, conforme já apontado por Vattimo, ao mesmo tempo configurando-se como uma camada deste real ou desta realidade, a um só tempo distinta e imiscuída nele(a).

Convém lembrar que desde João Amós Coménio, também conhecido como o “pai da pedagogia moderna”, em suas obras Didáctica Magna e Orbis Sensualium Pictus, já se havia anunciado a potência educativa das imagens. Para além do aspecto didático das imagens - destacado por este estudioso do século XVII -, nos dias atuais vários trabalhos apontam sobre a importância de se investigar como as imagens nos educam, construindo à sua maneira o real.

Para a educação geográfica atual, constituída também por uma dimensão pedagógica calcada nas experiências espaciais e visuais cotidianas, é de fundamental importância tomar as imagens tradicionalmente consideradas como geográficas (mapas, fotografia aéreas, imagens orbitais) e aquelas menos comuns (desenhos, fotografias, pintura, cinema, televisão) como potencialmente fundadoras de outras geografias. No campo da ciência geográfica, vertentes como a Geografia Cultural e a Geografia Humanística tomaram as imagens (em sua relação multiescalar com o mundo e o lugar) como de interesse geográfico, pois o espaço não constitui uma realidade objetiva, mas, sim, “uma multiplicidade de estórias-até-agora” de acordo com a geógrafa inglesa Doreen Massey.  Nas palavras de Paul Claval esta nova perspectiva “propõe uma visão original da diversidade da Terra, portanto da abordagem regional, porque esta é a maneira pela qual as pessoas recortam e vivem a Terra que está no centro da pesquisa, e não aquela que os geógrafos elaboram; isto implica que se leve em consideração o papel do corpo e dos sentidos na experiência humana, os recortes da realidade física e social pelas pessoas, a riqueza da imaginação que dá sentido às geografias as mais diversas – a experiência do espaço, e que se explore a maneira pela qual se constituem as identidades e os territórios”.

Diante disso, a Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP) por meio de seu programa de pós-graduação em Estudos Culturais (no nível de mestrado), sediará o II Colóquio de Educação pelas Imagens e Suas Geografias. O referido programa de pós-graduação, aprovado recentemente pela CAPES (Coordenação de Pessoal de Nível Superior) tem como finalidade compreender, em termos gerais, as intersecções entre cultura, indivíduo, sociedade e espaço. Alguns trabalhos questionam as fronteiras entre alta cultura e cultura de massa ou comercial, investigam os processos de produção da cultura, abordam objetos culturais híbridos, configurações identitárias de grupos socialmente marginalizados, processos migratórios e trocas culturais que deles advêm. Em vertente complementar, os estudos culturais contribuem para a crítica das disciplinas e saberes consagrados, indagam sobre os modos como se vêm produzindo historicamente as pedagogias, as ciências e sobre que interesses subjazem a elas; isto é, a partir de uma visada crítica e histórica lançam a dúvida sobre a construção do conhecimento no Ocidente e sobre o modo como este se impõe sobre formas alternativas de cultura e conhecimentos.

O Laboratório de Estudos Audiovisuais (OLHO) da Faculdade de Educação da Unicamp, onde foi realizado o primeiro colóquio, também apoiará o evento. Desde 1994, o OLHO vem se dedicando a investigar a educação pelas imagens, vistas como formas complexas do viver cultural e social contemporâneos. Seus pesquisadores estudam a educação, o conhecimento, a linguagem e a arte, como faces entrelaçadas e como produções abertas a interpretações não determinadas, fundadas no universo interdisciplinar da cultura, da arte e da ciência, tendo como uma de suas linhas de investigação a estreita relação entre cultura visual e espaço.

O Grupo de Pesquisa Linguagens Geográficas (GPLG), criado junto ao Departamento de Educação da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Estadual Paulista, campus de Presidente Prudente (SP), desde 2007 atua também junto ao Programa de Pós-Graduação em Geografia da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Federal da Grande Dourados (MS), congregando professores, pesquisadores e alunos de ambas as instituições com preocupações comuns quanto a necessidade de se pesquisar e desenvolver atividades que tenham na ampliação das potencialidades interpretativas da linguagem geográfica seu principal foco. Faz-se necessária uma nova compreensão das relações entre educação e cultura(s) que se relaciona a uma concepção de escola como um espaço de cruzamento de culturas, fluído e complexo, atravessado por tensões e conflitos.

É na união entre um grupo de pesquisa já estabelecido e um programa recente de pós-graduação que se amalgamam os interesses do GPLG (Unesp/Presidente Prudente) e do Grupo OLHO (FE/Unicamp) na promoção deste II colóquio na interface de três áreas de conhecimento: a Geografia, a Educação e o estudo das imagens.

O dossiê com os textos-capítulos dos participantes e o II colóquio A educação pelas imagens e suas geografias faz parte das atividades de consolidação de uma rede de pesquisadores, IMAGENS, GEOGRAFIAS E EDUCAÇÃO, e da elaboração de um projeto comum desta rede que alinhava e divulga as pesquisas atuais e futuras destes pesquisadores e seus orientados.

Objetivos do evento

  • Reunir pesquisadores brasileiros e estrangeiros estudiosos das imagens na produção do conhecimento geográfico, tendo como base artigos que serão publicados no periódico Geograficidade - publicado desde 2011 pelo Grupo de Pesquisa Geografia Humanista Cultural, do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal Fluminense.
  • Discutir a educação visual que as imagens realizam no mundo contemporâneo e o poder delas para configurar e circular o conhecimento geográfico;
  • Possibilitar um aprofundamento do diálogo interdisciplinar na interface de três áreas de conhecimento: a Geografia, a Educação e o estudo das imagens;
  • Entender a participação das imagens na criação de outras geografias; assim como delinear a leitura das mesmas no acontecimento de geografias menores.
  • Debater as relações e tensões existentes entre a idéia de representação e a presença das imagens como forma de delinear potencialidades de pensamentos diferenciais que estabeleçam novos sentidos para as imagens
  • Aprofundar no entendimento do papel da leitura e produção das imagens na capacitação do geógrafo (professor e/ou pesquisador) quanto ao domínio e enriquecimento da linguagem geográfica
  • Socializar, por meio de apresentação de trabalhos, as diversas pesquisas sobre as imagens, assim como as várias atividades junto ao ensino básico, do coletivo de pesquisadores (orientadores, orientando e professores do ensino básico) envolvidos com a rede IMAGENS, GEOGRAFIAS E EDUCAÇÃO
  • Fortalecer a organização da rede IMAGENS, GEOGRAFIAS E EDUCAÇÃO, congregando pesquisas e atividades, de maneira a enriquecer os referenciais teóricos e os futuros desdobramentos das ações da rede.